Ambulante

Malas

Sempre prontas

Arrumadas em cima da cama

Muitos lugares

Idas e vindas

Umas físicas, outras sentimentais

Amigos são fundamentais

E o vazio constante

De quem carrega

A própria alma

Como um ambulante.

Lar?

Pedaço de terra firme com um nome na escritura?

Ou apenas um canto, um ninho um pouso?

O que é estrutura?

Embasamento de vergalhões e concreto

Ou um amor sólido e poucos amigos

Com os quais você pode contar

E convidar para o seu lar?

Vivendo viajando, aeroportos,

Rodoviárias, distâncias

Poucos amigos espalhados por bairros,

municípios, cidades, países.

Sempre muita gente conhecida,

mas poucos amigos.

Os anos nos mudam?

Vivendo de um canto ao outro,

Procurando o seu local. O seu lugar

Ainda que não tenha estrutura

Ainda que não tenha escritura

Ainda que seja um campo de refugiados no deserto,

Cercados de minas terrestres.

Um amor sólido, poucos amigos,

Algum pouco dinheiro ganho

Como fruto do próprio trabalho

Estudando, lecionando,

escrevendo

E buscando todo tempo

A Humanidade

dentro de mim.

Mochilas

Malas urbanas customizadas pelo varejo

Malas urbanas onde escondemos nossa alma

Enquanto conseguirmos nos manter em silêncio

Ou sem ter como registrar o que pensamos

Exalamos nossas almas

na nossa voz, nos nossos escritos,

nas músicas que compomos.

Almas exaladas que confortam

outras almas cansadas

Vozes espalhadas pelas distâncias

das milhagens percorridas na malha urbana

Poetas, pregadores, pensadores artistas

Que exalam suas almas

Que carregam em malas

Como um ambulante.

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