Lagoa
Literária
Terça-feira, 6 Janeiro, 2009
Quinta-feira, 20 Novembro, 2008
Arca
O que se esconde neste baú
que sonhos, que quimeras
deixei ali e agora
não consigo enxergar?
Como fui capaz de enterrar
meus próprios sonhos e prazeres
Que aventuras escondi aos meus olhos
e de que adiantou isto
se minhas mãos anseiam em tocar
o papel amarelado e amassado no fundo da gaveta
Delícia como comer sobremesa sem jantar
Apenas de sonhos se alimentar
não se deixar congelar pelo coração
e ser atropelada pela multidão
que a priori nos incapacita de irmos
aonde queremos.
Os sonhos,
de dentro do seu túmulo
socam e gritam de dentro do caixão
avisando que estão vivos e querem sair.
Meu coração congelado
me fez surda aos anseios sussurrados
mas subitamente vejo minhas mãos ávidas
e, confiando na sabedoria
que elas já adquiriram,
as deixo procurar.
Mãos atrevidas tocam todo lugar
abrem portas e gavetas
mãos surdas e ceguetas
que tateiam sem parar
Sábio destino
espera o ápice do momento
mãos de fora que procuram
e mãos de dentro que esmurram
tem breve casamento
Mãos trêmulas tocam os sonhos
sonhos ávidos tocam o coração
libertando aquele ser de sua prisão
que é viver sem ter um alvo a alcançar
um sonho para sonhar
se permitir ser quem quiser
e se impedir de ser levado com a maré
O túmulo escancarado
é a prova de que há algo errado
mãos de sonho escrevem estas palavras
e um coração gelado é convidado a se isolar.
Sexta-Feira, 7 Novembro, 2008
Sim, eu estive triste. Não, não estou mais.
Sim, eu pensei em desistir de muitas coisas e de muita gente. Não, não fui programada pra desistir dos meus sonhos nem dos meus amigos verdadeiros.
Sim, sempre disse que era uma mulher de uma palavra só. Não, não pude cumprir muito que tinha dito. O que tem como ainda ser feito será retomado.
Sim, sou complicada, gosto de música, artes plásticas, literatura e não gosto de muita rotina. Não, não vou por isso deixar meu lado advogada e empresária, que precisa de horários e rotinas, de lado.
Sim, é sempre complicado ser “você mesma”; mas não acredito que haja outro caminho a não ser a sinceridade.
Quem disse que o ano está acabando? Quem decide os ciclos da vida?
“Am I the same girl? Yes, I am, Yes, I am”… not.
Domingo, 27 Abril, 2008
Somos alunos. Estamos matriculados regularmente, freqüentamos as aulas, passamos nas provas. E nos encontramos no meio do nosso caminho universitário.
Não necessariamente somos estudantes. O Pacto está feito: os livros estão ai, descansando languidamente nas prateleiras de nossas estantes ao sabor do ar condicionado que o envolve, quando não toma banho de sol na varanda da biblioteca. Mas estes foram feitos para serem olhados, meramente consultados – pois logo no primeiro dia de aula todos os professores nos “tranqüilizam” avisando que poderemos passar direto em suas matérias apenas com as anotações em caderno, nos poupando o extenuante trabalho de pensar. Algumas vezes, quando o “mestre” resolve faturar alguns trocados, adota-se um livro – o escrito pelo próprio professor. De qualquer forma, sempre há a necessidade da adoção de alguma corrente teórica – e assim, os cadernos se tornam o resumo de um determinado livro. Tudo o que temos que fazer é decorar essas anotações, tirarmos 10, fazer a alegria da família, constituir um bom C.R., arranjar um bom emprego e dormimos todos os dias em paz com nossas consciências.
E sendo assim somos escravos. Não temos direito ao básico: a discordar de uma teoria ou corrente ideológica. Pois quando nos apresentam uma tese como sendo a verdade, não há o que contestar – quem contestaria a Verdade? Aceitamos placidamente o que nos é dito – e a Verdade é inaplacável com seus contestadores: tasca-lhes um zero, reprova-os, tenta marcar suas vidas com o símbolo dos perdedores.
Somos todos alunos. Mas nem todos são estudantes e nem todos são cordeirinhos. Ainda assim, sempre haverá a maioria esmagadora e a minoria combativa. Não lutamos pela razão, mas pelo direito de termos idéias próprias e sermos respeitados por isso.
Terça-feira, 25 Março, 2008
Palco e Bastidores
Todos querem subir ao palco e brilhar. Sentir a luz do holofote no rosto, olhar a platéia e se embriagar ao som das palmas.
Todos aqueles que brilham tiveram alguém ou fizeram muito para que tudo que apareceu brilhante chegasse àquele momento.
Ofuscados ficam todos que ainda acreditam que somente o improviso e a inspiração elevam o aspirante à “fama” e à “glória”.
Que o estudo, a disciplina, o método e a perseverança são apenas palavras citadas por aqueles que conseguiram. Não são apenas palavras escritas. Sem a aplicação dos seus significados no cotidiano, se perde muito em qualidade e mérito de suas ações.
Não desconsidero de forma alguma o improviso e a inspiração; ressalto que esses dois são os toques finais e mágicos que coroam o estudo e o trabalho, que por isso mesmo são chamados de bastidores, e assim só o resultado aparece. Sem segredos nem mágica: apenas dedicação.
Há aqueles que sonham e vivem para o palco. Há outros cujo prazer consiste em levar ao palco quem busca a realização dos seus desejos.
Estou de volta, mas nem sempre apareço, pois estou nos bastidores.