Foi tudo muito rápido. Telefonema, ambulância, hospital. Outra ambulância, outro hospital. E lá fui eu literalmente de mala e cuia como acompanhante. Me internei junto com ela. Um braço quebrado, uma coisa simples. Nada é simples pra quem tem 85 anos. Em duas semanas a overdose de remédio sossega leão fez uma linha contínua na máquina do CTI. Cemitério, luto, silêncio.

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os meses se passaram.

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Eu realmente aprendi o que é luto. Não é usar preto com véu. É tocar o telefone todos os dias e saber que não é ela para dar boa noite.

Aprendi muito sobre amizade, companheirismo, e agora quero aprender mais sobre a vida.

Adiei alguns projetos. Sumi um pouco.

Sábado agora mais uma tarefa adiada na minha vida. Desmontar a casa de quem tanto me amou. De alguma forma, consegui aos poucos lidar com isso. As cores dos quadros me ajudaram, pois nunca tinha ficado tão sem palavras em toda minha vida.

Tinha um quadrinho meu muito mal pintado na parede da casa dela.
Ainda dói. Mas eu vou superar. Não sabia que minha solidão colorida ia me confortar tanto.

Quando der divulgo meus quadros. Mas esse será um projeto que não poderá ser adiado, como nenhum outro projeto na minha vida.