Maio 2008


INTERCONEXOS RELAÇÕES INTERNACIONAIS & UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA APRESENTAM O CICLO DE PALESTRAS
 
RELAÇÕES JURÍDICAS INTERNACIONAIS
 
 
18:20 – 18:40 André Eduardo Soares, historiador, mestrando em História pela UNIRIO: “Diálogos entre a História, Ciências Sociais e aplicadas”
 
18:45 – 19:05  Marcelo Acha, geógrafo, doutorando em Geografia pela UFF: “Desenvolvimento regional, soberanias nacionais e Mercosul”
 
19:10 – 19:30  Mariana Picanço, advogada, mestranda em Gestão Judiciária pela FGV-RJ: “Direito Internacional dos Direitos Humanos”
 
19:30 – 19:40 Coffee-Break
 
19:40 – 20:00 Osvaldo Caninas, Capitão de Corveta da Marinha do Brasil, mestrando em Ciências Políticas pela UFF: “Aspectos históricos e situação dos atos de pirataria no mundo”
 
20:20 – 20:40  Ana Marta Vasconcellos, advogada, especialista em Direito Internacional pela OEA: “A importância da água nas relações jurídicas internacionais”
 
LOCAL: UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA TIJUCA
Rua Ibituruna, 75 – Casa da Pós-Graduação (Auditório)
 DATA: 30 DE MAIO DE 2008, às 18h
 
O evento é gratuito e será concedido certificado
 e 10 horas de atividades complementares.
 
Favor confirmar presença: 3872-7321  *  8698-7321
interconexos@hotmail.com
http://interconexos.wordpress.com/

 

Opinião – O Paraguai de Lugo e o Brasil de Lula
Candido Mendes

Fernando Lugo, eleito presidente no Paraguai, dá conta, ainda que atrasado, do profetismo da mudança que o Vaticano II viveu com a ação da Igreja na América Latina. È solitariamente também que o faz, ao contrário do que no Brasil permitiu o fenômeno conjunto da mobilização com as estruturas sindicais e de toda aspiração dos excluídos, organizada de forma inédita pelo PT.

O bispo, que quatro décadas depois deixa a sua diocese, entrega-se à causa popular sem alternativa. Acompanhou-se o seu dever de consciência e a sua agonia interior no que seria – e no melhor sentido profético – responder a uma Igreja versus Populum. E isso no coração insulado da América Latina, da América do Sul, sobrevivendo ao século de destruição subseqüente à guerra da Cisplatina, e à organização mais nítida do sistema neocolonial de concentração de riqueza, de convivência cínica com a marginalidade e da promiscuidade da coisa pública com a cosanostra.

Significativamente também era o país onde uma tradição missionária cristã e essencialmente jesuítica criaria uma homogeneidade de mobilização e expectativa da palavra pelo povo fiel. O Paraguai não só foi ao escarmento da cupidez do sistema, como hoje vive de um subimperialismo brasileiro. Encontramos para além do Paraná os latifúndios mais opulentos e os mais temerosos da reforma agrária pretendida por Fernando Lugo.

O bispo que não largou o báculo viu-se como a confluência simbólica das expectativas dos destituídos como da classe média ou da micro-empresa paraguaia, espremidos entre o incipiente populismo sindical e a empresa sem face no país a que o Partido Colorado assegurou toda negociação ou a burocracia nacional. A derrubada de Strossner só mostrou o entranhamento do sistema e a sua contaminação pelos primeiros empenhos de mudança tentados pelo semi-reformismo, porém deixados no esquecimento.

O abrigo dos mandatários no Brasil por sua vez expelidos neste processo só mostra a nossa contumácia com tudo aquilo contra o qual desponta a vitória de Fernando Lugo. Não nos basta a parábola da volta do general Oviedo saído do bem-bom do seu exílio no Paraná para ainda ser perdoado de todas as faltas, o adversário do candidato do movimento democrático. Ou seja, de um verdadeiro levante eleitoral que não quis se identificar com nenhuma sigla do status quo, e reforçou-se ainda dos núcleos da mudança, sufocados ainda dentro dos situacionismos conformados.

O nacionalismo inevitável de Lugo é a resposta à autenticidade deste reclamo temporão, que defronta um regime que levou ao extremo as polarizações da riqueza onde um capitalismo brasileiro tem a sua parcela leonina. Só viu o país a mobilização de última hora das nossas fortunas de fronteira a tentar ainda garantir uma vitória de Oviedo. Mas o confronto básico – em que vai todo à perspectiva de Lula – é necessariamente o acordo internacional sobre Itaipu, onde caberá ao Estado brasileiro posição decisiva na mudança política de preços em que tradicionalmente nos beneficiemos das reservas energéticas paraguaias na alimentação das nossas turbinas de Itaipu.

Lugo não deixou dúvidas sobre esta pretensão-chave fazendo da visita à Lula o remate de sua campanha. Vai à Brasília agora esta instância decisiva. Sabemos até onde daremos a razão ao novo presidente e fazer do Brasil – da nossa abertura ou da nossa insensibilidade – o primeiro alvo objetivo do novo Paraguai. A tradição prévia já com a Bolívia e as vantagens concedidas pela Petrobrás ao governo Morales servem de precedente a que na nova liderança continental brasileira uma política de revisão de tratados, nascidos numa primeira exploração da assimetria das partes, prevaleça sobre uma política de auxílio caritativo ou de boa vontade social onde só instalaremos a dependência da nação irmã.

O PT viveu a experiência matriz de uma consciência política emergente no país. E a Igreja que ficou ao seu lado, continua agora nos reclamos que lhe fará Fernando Lugo companheiro temporão da mesma viagem por uma América Latina para si, consciente de suas contradições e retóricas da boa vontade.

[ 30/04/2008 ] 02:01

Texto da Martha Medeiros publicado na Revista do O Globo.

“Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.
Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.
Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos      os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista,  mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos,
participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana – e as unhas!
E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.
Culpa por nada, aliás. Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele
momento você seria modelo para os outros.
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora. Você é, humildemente, uma mulher. E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se    divertir, bye-bye vida interessante.
Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.
É ter tempo. Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo. Tempo para dançar sozinha na sala. Tempo para bisbilhotar uma loja de discos. Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias!
Tempo para uma massagem. Tempo para ver a novela. Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza. Tempo para fazer um trabalho voluntário. Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas. Voltar a estudar. Para engravidar. Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado. Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e
profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISSO 9000, não será bem avaliada.
Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo! Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de
separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo.
Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado)podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante”.