Pimenta Verde Prateada

Parte  I – Lisboa

 

Pois que ouço,

como se fosse hoje,

longas tardes de silêncio e de murmúrio.

 

Olhos tristes de um inseguro

momento que passou à toa.

Olhos verdes de Lisboa

angústia, gritos incessantes

de alguns passantes

ao perceberem a grave cena.

 

Diz-me para que me cales

e que contigo não mais fales

Situação absurda

pois que tão óbvia e prevista

e tão impossível de realizar

 

Olhos de prata choram no mar

incrível oceano prateado

das lágrimas o gosto salgado

e no céu o prata do luar.

 

Olhos de pimenta vermelha

acesa nos caminhos errados

desbotados de tanto chorar

e verde como o mar

mostra-se a verdadeira cor

dos olhos já desinchados de chorar

pois que a solução não há de agradar

mas se outra solução não há

nada há a fazer para evitar.

 


Parte II – Panos e Baldes

 

Pimenta verde prateada

deságua seu lagrimejar

e venho eu agora

 

carregada de panos e baldes

para esse prateado oceano secar.

Pois que enxáguo

e de nada adianta

já que as ondas trazem

mais lágrimas de molhar.

 

Um dia o pranto seca

a alma se aquieta

e os panos posso aposentar

até chegar o inevitável momento

que outro inexorável sofrimento

venha requerê-los para trabalhar.

 

Panos e baldes vou colecionar

cada um tem sua estória pra contar:

este foi de desengano,

este foi de destratar;

este foi de frieza,

aquele foi de mal-amar.

 

Coleciono meus panos

com os nomes de seus fulanos

e também dos que me fizeram chorar;

mas estes baldes eu guardo no canto

pois que não quero lembrar do tanto

que eles já me fizeram secar.