MOSCOU – O governo da Rússia desmentiu nesta sexta-feira, 16, as informações divulgadas pela imprensa israelense sobre a venda à Síria de mísseis de cruzeiro antiaéreo supersônicos “Yakhont”, com alcance de até 300 quilômetros.

“Não fornecemos mísseis Yakhont à Síria e num futuro próximo não iremos exportá-los”, assegurou à agência Interfax um representante da indústria militar russa. Segundo a imprensa israelense, a Rússia poderia ter vendido à Síria os mísseis mar-mar dentro do programa bilateral de cooperação militar, o que preocupa o governo de Tel Aviv, devido às características táticas do foguete.

No mês passado, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fez uma visita secreta à Rússia para analisar com o Kremlin os acordos que tem com a Síria e o Irã, e a transferência de armamento militar ao Hezbollah, segundo a imprensa israelense.

Preocupa Israel a possibilidade da venda por parte da Rússia ao Teerã de mísseis antiaéreos S-300 para defender as instalações nucleares iranianas de um eventual ataque israelense, assim como de foguetes. Segundo fontes russas, Damasco pretende comprar em breve um sistema completo de defesa antiaérea.

Anteriormente, a Rússia vendeu à Síria mísseis anticarro que, segundo reconheceu o então vice-primeiro-ministro e titular da Defesa, Serguei Ivanov, caíram em mãos libanesas da guerrilha do Hezbollah, que os utilizou em combates contra Israel.

Segundo a imprensa, Moscou forneceu a Damasco sistemas antiaéreos Strelets, mísseis anticarro Kornet e Metis, caças Su-27, interceptores Mig-31 e helicópteros Ka-28, e modernizou mais de 120 tanques T-72 e outra técnica militar do Exército sírio. Além disso, a Síria deseja comprar os modernos sistemas de defesa aérea Pantsir-S1 e Buk-M1-2 e os caças Mig-29 SMT.

A Rússia ressaltou que vende à Síria armamento defensivo e resiste em negociar armas ofensivas, como os mísseis tático-operacionais Iskaner.

Tem sido dificil conciliar todos os projetos, vida pessoal e profissional, que se divide na artística e na internacional.

Tenho priorizado o Grupo de Estudos de Direito Internacional e com isso o blog mais atualizado é o http://gedirj.wordpress.com

Tenho agora o novo desafio de coordenar e lecionar em dois cursos de extensão, oportunidade de colocar em prática essa minha pedagogia ideológica internacionalista em um curso aberto – já faço no LPDI do CNPQ – e no meio dessa felicidade, lamentar não ter tempo para desenvolver minha terceira fase literária.

De qualquer forma, o cheiro de novidade perpassa todos os ambientes em que circulo.

22/06/2009 – 18h11
“Fuga de cérebros” é maior na América Latina, diz estudo

da BBC Brasil *

A América Latina e o Caribe compõem a região com maior proporção de profissionais qualificados vivendo no mundo desenvolvido –um fenômeno que se acentuou nas duas últimas décadas, segundo um relatório do Sistema Econômico Latino-americano e do Caribe, com sede em Caracas.

De acordo com o estudo, o total de latino-americanos qualificados que vivem nos países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) passou de 1,92 milhão em 1990 para 4,9 milhões em 2007 –uma alta de 155%.

Isso equivale a dizer que 11,3% da mão-de-obra qualificada da região vivia em um país rico em 2007.

No México, país que iniciou um tratado de livre comércio com os Estados Unidos em 1994, esse aumento foi de 270%. O segundo maior aumento percentual foi registrado no Brasil: 242%. Mas, proporcionalmente, as maiores taxas de emigração qualificada da região são registradas nos países pequenos.

O secretário permanente do Sela, José Rivera Banuet, disse à BBC que, como 60% dos migrantes que saem para os países ricos acabam trabalhando em áreas diferentes de sua formação, os conhecimentos desses indivíduos acabam perdidos para os países de origem e desperdiçados nos países de destino.

“Um dos desafios é o de encontrar um equilíbrio entre as necessidades nacionais de reter os especialistas em certas profissões ao mesmo tempo em que se desenvolve a cooperação com os países de destino”, afirmou.

Números

Um dos países que mais influenciaram as estatísticas latino-americanos foi o México. O número de mexicanos qualificados nos países ricos era de 366 mil em 1990 e passou para 1,36 milhão em 2007 –16,8% da força de trabalho qualificada.

Sem as estatísticas mexicanas, a taxa de imigração de trabalhadores qualificados latino-americanos não seria de 11,3%, e sim de 8,2%.Os percentuais para África e a Ásia, outras regiões tradicionalmente fornecedoras de imigrantes, são 10,2% e 5,9% respectivamente.

Já o número de brasileiros qualificados trabalhando nos países da OCDE saltou de 63 mil em 1990 para 218 mil em 2007. Mas a situação brasileira preocupa menos os autores do estudo, porque o total de pessoas qualificadas no Brasil ainda é bastante grande.

Em 2007, estima-se que os brasileiros qualificados trabalhando fora correspondiam a 2,3% da força de trabalho qualificada total de 9,4 milhões.

O percentual é bem menor do que o de nações caribenhas como Guiana (88,8%) –cuja dinâmica nesse aspecto a aproxima mais dos vizinhos do Caribe do que da América do Sul–, Haiti (84,9%) e Jamaica (84,4%), entre outros.

“Um dos padrões característicos da migração qualificada contemporânea é a presença de taxas elevadas de emigração em países pequenos ou com baixo nível de diversificação produtiva”, destaca o relatório.

“Na América Central, a maioria dos países tem entre um terço e um quarto de sua população qualificada no exterior”, afirma o estudo. “Os países da região andina e os sul-americanos são onde o fenômeno tem menor incidência. Contudo, alguns países como Colômbia, Equador e Uruguai têm taxas ao redor de 10%.”

Fuga de cérebros

O estudo alerta para o caráter irreversível da chamada “fuga de cérebros” nos países latino-americanos.

O levantamento aponta que, dos anos 1970 para cá, houve uma mudança interessante no comportamento dos países: vários países da região deixaram de promover políticas de contenção da fuga de cérebros, assumindo que a perda de mão-de-obra qualificada é compensada pelo volume de remessas recebidos do exterior.

No entanto, a diretora para a região andina da OIM (Organização Internacional das Migrações), Pilar Norza, disse à BBC que este “conforto” não condiz necessariamente com a realidade.

Segundo Norza, embora não existam números para comprovar isso, existe uma percepção de que os imigrantes que mais enviam remessas não são necessariamente os mais qualificados.

Para Banuet, do Sela, o fenômeno da fuga de cérebros “não pode ser freado nem incentivado, porque depende da decisão individual das pessoas”.

Na opinião dele, encontrar o equilíbrio nesta questão significa garantir que os países que formaram os imigrantes qualificados também obtenham benefícios do seu investimento, o que poderia ser alcançado por meio de programas de formação compartilhados e outros acordos bilaterais e multilaterais.

*Com reportagem de Yolanda Valery, de Caracas, para a BBC Mundo

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u584671.shtml

Lagoa

Sozinha estou e sozinha estarei por mais acompanhada que esteja. A multidão não me influi, mas a sua companhia ou sua ausência são igualmente bem vindas. Rostos, corpos, cheiros, sons, vozes, paisagens complementam minha vida, alheia de todos, do mundo e de si mesma. Minha cidade e meu povo são a moldura dos quadros que pinto todos os dias. Quadros grandes ou pequenos, retratos da vida de vários ângulos e de várias vidas simultaneamente. Dias e noites não são passados em vão, sinto o amadurecimento correndo nas minhas veias, com todas as conseqüências deste fato notório e inexorável. Escrevo digitando, olhando só para as teclas e ouvindo “Chega de Saudade”, que me faz lembrar, não sei porque, a Lagoa Rodrigo de Freitas, e o quadro se pinta, sozinho, diante dos meus olhos na minha frente: logo cedo pessoas que tem condições de morar neste bairro fazendo sua caminhada matinal; passar pela lagoa à tarde indo pra algum compromisso na zona sul; a volta para casa no trânsito do fim de expediente; famílias brincando com filhos e passeando de bicicleta no fim de semana. Pessoas e paisagem entrelaçados… Um lugar belo freqüentado por pessoas bonitas, ricas e felizes…
E a solidão impera… pois a felicidade está nos momentos, como os citados anteriormente; mas a solidão é estar num desses lugares lendo um livro; pensando em alguém querido e no momento distante; ter um segredo e não poder, mesmo querendo, contar pra ninguém. Não necessariamente a solidão é triste; mas, como a felicidade, é feita de momentos… de solidão interior, de solidão externa, de quem está num lugar conversando, e em um momento se desliga e olha com outros olhos a situação que está vivendo.
Sozinha estou e sozinha sempre estarei. Para mim, a solidão é intrínseca a mim mesma. Não sei se isto é bom ou mau; mas sinto claramente que me iludo quando penso que em algum momento eu possa não estar sozinha… pois estar acompanhada é participar, se envolver, e eu não sei fazer isso… fico olhando o mundo, analisando-o, fazendo teorias, observando as pessoas e vendo o que há de tipicamente humano, masculino ou feminino, não rotulando as pessoas, mas justamente querendo retirar dos casos concretos a base para minhas teorias…
Talvez eu não saiba viver, ou ainda viver como os outros vivem. No entanto, eu já sei extrair dessa maneira que eu vivo a minha maneira de ser feliz.
Escrito em 2004.
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A fase do meu “exílio voluntário” passou,  mas me legou alguns textos, como esse, o primeiro sem lápis e papel.

Ganhei de aniversário a resposta que estava procurando: o motivo pelo qual Epitácio Pessoa não terminou o código de Direito Internacional. Na verdade achei uma resposta que me levou a outras perguntas, o que o Conselheiro Lafayette tem com essa estória exatamente?

Sei que tudo que tem acontecido na minha vida me leva a sentir bons ventos; advogar, lecionar, rever os amigos “às toneladas” no Itamaraty ontem e segunda.

Respostas possíveis à pergunta do título:

- 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

- banca da FUNAG na central do Brasil, dentro do metrô homônimo no Rio de Janeiro, com livros imperdíveis para qualquer internacionalista a no máximo R$20,00

Uma força intelectual incrível, tanto na mesa dos palestrantes da FUNAG no Itamaraty ontem e segunda, quanto entre os que assistiam e debatiam ainda no Palácio ou fora dele.

Uma nova geração de internacionalistas empenhados não em “ver e ser visto” mas em estudar incansavelmente e defender seus pontos de vista sobre os temas apresentados.

A energia do Palácio se espraia nos ânimos, e nos motiva a organizar mais encontros para manter a chama do estudo com debate. Aguardaremos os próximos!

Arca


O que se esconde neste baú

que sonhos, que quimeras

deixei ali e agora

não consigo enxergar?


Como fui capaz de enterrar

meus próprios sonhos e prazeres

Que aventuras escondi aos meus olhos

e de que adiantou isto

se minhas mãos anseiam em tocar

o papel amarelado e amassado no fundo da gaveta


Delícia como comer sobremesa sem jantar

Apenas de sonhos se alimentar

não se deixar congelar pelo coração

e ser atropelada pela multidão

que a priori nos incapacita de irmos

aonde queremos.


Os sonhos,

de dentro do seu túmulo

socam e gritam de dentro do caixão

avisando que estão vivos e querem sair.


Meu coração congelado

me fez surda aos anseios sussurrados

mas subitamente vejo minhas mãos ávidas

e, confiando na sabedoria

que elas já adquiriram,

as deixo procurar.


Mãos atrevidas tocam todo lugar

abrem portas e gavetas

mãos surdas e ceguetas

que tateiam sem parar


Sábio destino

espera o ápice do momento

mãos de fora que procuram

e mãos de dentro que esmurram

tem breve casamento


Mãos trêmulas tocam os sonhos

sonhos ávidos tocam o coração

libertando aquele ser de sua prisão

que é viver sem ter um alvo a alcançar

um sonho para sonhar

se permitir ser quem quiser

e se impedir de ser levado com a maré


O túmulo escancarado

é a prova de que há algo errado

mãos de sonho escrevem estas palavras

e um coração gelado é convidado a se isolar.

Sim, eu estive triste. Não, não estou mais.

Sim, eu pensei em desistir de muitas coisas e de muita gente. Não, não fui programada pra desistir dos meus sonhos nem dos meus amigos verdadeiros.

Sim, sempre disse que era uma mulher de uma palavra só. Não, não pude cumprir muito que tinha dito. O que tem como ainda ser feito será retomado.

Sim, sou complicada, gosto de música, artes plásticas, literatura e não gosto de muita rotina. Não, não vou por isso deixar meu lado advogada e empresária, que precisa de horários e rotinas, de lado.

Sim, é sempre complicado ser “você mesma”; mas não acredito que haja outro caminho a não ser a sinceridade.

Quem disse que o ano está acabando? Quem decide os ciclos da vida?

“Am I the same girl? Yes, I am, Yes, I am”… not.

Foi tudo muito rápido. Telefonema, ambulância, hospital. Outra ambulância, outro hospital. E lá fui eu literalmente de mala e cuia como acompanhante. Me internei junto com ela. Um braço quebrado, uma coisa simples. Nada é simples pra quem tem 85 anos. Em duas semanas a overdose de remédio sossega leão fez uma linha contínua na máquina do CTI. Cemitério, luto, silêncio.

- ~ -

os meses se passaram.

- ~ -

Eu realmente aprendi o que é luto. Não é usar preto com véu. É tocar o telefone todos os dias e saber que não é ela para dar boa noite.

Aprendi muito sobre amizade, companheirismo, e agora quero aprender mais sobre a vida.

Adiei alguns projetos. Sumi um pouco.

Sábado agora mais uma tarefa adiada na minha vida. Desmontar a casa de quem tanto me amou. De alguma forma, consegui aos poucos lidar com isso. As cores dos quadros me ajudaram, pois nunca tinha ficado tão sem palavras em toda minha vida.

Tinha um quadrinho meu muito mal pintado na parede da casa dela.
Ainda dói. Mas eu vou superar. Não sabia que minha solidão colorida ia me confortar tanto.

Quando der divulgo meus quadros. Mas esse será um projeto que não poderá ser adiado, como nenhum outro projeto na minha vida.

INTERCONEXOS RELAÇÕES INTERNACIONAIS & UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA APRESENTAM O CICLO DE PALESTRAS
 
RELAÇÕES JURÍDICAS INTERNACIONAIS
 
 
18:20 – 18:40 André Eduardo Soares, historiador, mestrando em História pela UNIRIO: “Diálogos entre a História, Ciências Sociais e aplicadas”
 
18:45 – 19:05  Marcelo Acha, geógrafo, doutorando em Geografia pela UFF: “Desenvolvimento regional, soberanias nacionais e Mercosul”
 
19:10 – 19:30  Mariana Picanço, advogada, mestranda em Gestão Judiciária pela FGV-RJ: “Direito Internacional dos Direitos Humanos”
 
19:30 – 19:40 Coffee-Break
 
19:40 – 20:00 Osvaldo Caninas, Capitão de Corveta da Marinha do Brasil, mestrando em Ciências Políticas pela UFF: “Aspectos históricos e situação dos atos de pirataria no mundo”
 
20:20 – 20:40  Ana Marta Vasconcellos, advogada, especialista em Direito Internacional pela OEA: “A importância da água nas relações jurídicas internacionais”
 
LOCAL: UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA TIJUCA
Rua Ibituruna, 75 – Casa da Pós-Graduação (Auditório)
 DATA: 30 DE MAIO DE 2008, às 18h
 
O evento é gratuito e será concedido certificado
 e 10 horas de atividades complementares.
 
Favor confirmar presença: 3872-7321  *  8698-7321
interconexos@hotmail.com
http://interconexos.wordpress.com/

 

Opinião – O Paraguai de Lugo e o Brasil de Lula
Candido Mendes

Fernando Lugo, eleito presidente no Paraguai, dá conta, ainda que atrasado, do profetismo da mudança que o Vaticano II viveu com a ação da Igreja na América Latina. È solitariamente também que o faz, ao contrário do que no Brasil permitiu o fenômeno conjunto da mobilização com as estruturas sindicais e de toda aspiração dos excluídos, organizada de forma inédita pelo PT.

O bispo, que quatro décadas depois deixa a sua diocese, entrega-se à causa popular sem alternativa. Acompanhou-se o seu dever de consciência e a sua agonia interior no que seria – e no melhor sentido profético – responder a uma Igreja versus Populum. E isso no coração insulado da América Latina, da América do Sul, sobrevivendo ao século de destruição subseqüente à guerra da Cisplatina, e à organização mais nítida do sistema neocolonial de concentração de riqueza, de convivência cínica com a marginalidade e da promiscuidade da coisa pública com a cosanostra.

Significativamente também era o país onde uma tradição missionária cristã e essencialmente jesuítica criaria uma homogeneidade de mobilização e expectativa da palavra pelo povo fiel. O Paraguai não só foi ao escarmento da cupidez do sistema, como hoje vive de um subimperialismo brasileiro. Encontramos para além do Paraná os latifúndios mais opulentos e os mais temerosos da reforma agrária pretendida por Fernando Lugo.

O bispo que não largou o báculo viu-se como a confluência simbólica das expectativas dos destituídos como da classe média ou da micro-empresa paraguaia, espremidos entre o incipiente populismo sindical e a empresa sem face no país a que o Partido Colorado assegurou toda negociação ou a burocracia nacional. A derrubada de Strossner só mostrou o entranhamento do sistema e a sua contaminação pelos primeiros empenhos de mudança tentados pelo semi-reformismo, porém deixados no esquecimento.

O abrigo dos mandatários no Brasil por sua vez expelidos neste processo só mostra a nossa contumácia com tudo aquilo contra o qual desponta a vitória de Fernando Lugo. Não nos basta a parábola da volta do general Oviedo saído do bem-bom do seu exílio no Paraná para ainda ser perdoado de todas as faltas, o adversário do candidato do movimento democrático. Ou seja, de um verdadeiro levante eleitoral que não quis se identificar com nenhuma sigla do status quo, e reforçou-se ainda dos núcleos da mudança, sufocados ainda dentro dos situacionismos conformados.

O nacionalismo inevitável de Lugo é a resposta à autenticidade deste reclamo temporão, que defronta um regime que levou ao extremo as polarizações da riqueza onde um capitalismo brasileiro tem a sua parcela leonina. Só viu o país a mobilização de última hora das nossas fortunas de fronteira a tentar ainda garantir uma vitória de Oviedo. Mas o confronto básico – em que vai todo à perspectiva de Lula – é necessariamente o acordo internacional sobre Itaipu, onde caberá ao Estado brasileiro posição decisiva na mudança política de preços em que tradicionalmente nos beneficiemos das reservas energéticas paraguaias na alimentação das nossas turbinas de Itaipu.

Lugo não deixou dúvidas sobre esta pretensão-chave fazendo da visita à Lula o remate de sua campanha. Vai à Brasília agora esta instância decisiva. Sabemos até onde daremos a razão ao novo presidente e fazer do Brasil – da nossa abertura ou da nossa insensibilidade – o primeiro alvo objetivo do novo Paraguai. A tradição prévia já com a Bolívia e as vantagens concedidas pela Petrobrás ao governo Morales servem de precedente a que na nova liderança continental brasileira uma política de revisão de tratados, nascidos numa primeira exploração da assimetria das partes, prevaleça sobre uma política de auxílio caritativo ou de boa vontade social onde só instalaremos a dependência da nação irmã.

O PT viveu a experiência matriz de uma consciência política emergente no país. E a Igreja que ficou ao seu lado, continua agora nos reclamos que lhe fará Fernando Lugo companheiro temporão da mesma viagem por uma América Latina para si, consciente de suas contradições e retóricas da boa vontade.

[ 30/04/2008 ] 02:01

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